December 2007
Safra saíde cido habibe
Cido,
meu querido avô palestino de olhar penetrante e mente inquieta; de princípios éticos e morais inquestionáveis e de um coração enorme.
Eu não estava em Natal no dia 24 de dezembro, quando você partiu para sua nova viagem. Nem eu nem alguns de seus outros netos. Mesmo que não nos façamos presentes fisicamente, pode ter certeza que nossos corações estão aí, com você, com vovó Mary, nossos pais, tios, primos, parentes e amigos. Aliás, não preciso dizer isso, você sabe…
Nos vimos pela última vez no dia que viajei; passei em sua casa antes de ir para o aeroporto. Você não estava podendo falar, mas nossos olhos se encontraram, e disseram muito mais do que conseguiríamos verbalizar. Não foi um momento de despedida, e sim de encontro, e de entendimento. Apesar das poucas palavras, lembro-me de ter dito que o amo, que me orgulho de ser sua neta, e que farei o melhor que puder para honrar a sua trajetória de vida e o que me ensinou.
Hoje, quero agradecer a Deus por ser sua neta e por ter podido usufruir tanto tempo da sua companhia, do imenso amor com que nos cercou, das muitas lições de coragem, respeito e de amizade que nos deu ao longo dos anos.
Hoje, quero dizer a você, Cido, que sou grata pela semente de vida que plantou e me gerou, e que irá perpetuar-se em meus próprios filhos e netos. Sou grata por ter vindo para o Brasil, permitindo que nós nascêssemos em um mundo de paz. Sou grata pelo exemplo de trabalho, força de vontade e de dignidade que nos deu. Sou grata pelas histórias que nos contava sobre nossa família e as tradições árabes, pelas conversas, brincadeiras, broncas e risadas que ficarão em minha memória. Sou grata por sempre se preocupar mais conosco do que com você mesmo, e tentar nos apoiar para que nos tornemos pessoas cada vez melhores.
Você foi um avô maravilhoso, Cido!
Não falo árabe, mas gostaria de terminar dizendo algo na sua, aliás, na nossa língua natal. Safra saíde cido habibe. Allá Iekun maac.
(Boa viagem vovô querido. Deus o acompanhe.)
Sua neta,
Louise
winter wonderland
Último fim de semana de Denise na Europa… fomos passear na Áustria.
Mas peraí, vamos começar do começo. Vôo direto pra mim era caríssimo comparado com fazer uma escala em algum canto. Traumatizada com a minha última tentativa, mudei a estratégia: peguei um vôo Valadollid-Londres de tarde e o outro, Londres-Bratislava, era só no outro dia pela manhã. Isso, além da segurança de não perder o vôo, me deu o luxo de passar mais uma noite em Londres. Eu e Denise, grandes fãs de musicais, já combinamos ir para o teatro. Só que nossos planos foram por água à baixo por culpa do trânsito infernal daquela cidade de tardezinha… Meu ônibus do aeroporto até o centro da cidade, que era para levar cerca de 50 minutos, levou mais de duas horas… o ônibus de Denise de Cambridge para Londres, também acabou atrasando mais de uma hora. Conclusão: perdemos a peça. Com nada para fazer, fomos tirar fotos na “ponte bonita”, coisa que nenhuma das duas tinha conseguido fazer antes.
Voltamos para o aeroporto e passamos a madrugada por lá. Jantamos, passeamos, assistimos Hairspray (como sempre!)… até que a manhã chegou e embarcamos. Passamos o dia dormindo pelos cantos: no avião, no ônibus para o centro de Vienna e no trem para Salzburg. Chegamos no fim da tarde, em tempo para ainda dar uma passeada por alguns dos Mercados de Natal espalhados no meio da cidade.
O dia seguinte foi bem mais proveitoso. Fomos até Bad Gastein e passamos a maior parte do dia bricando de neve! hehehehehe! Olha eu fazendo “o anjo”! Olha eu descendo de treno! Olha eu fazendo um boneco de neve! ô, vida boa…
Sério, a gente tava parecendo duas crianças pequenas. hehehehehe. Mesmo assim, voltamos para Salzburg, passeamos mais um pouquinho nos Mercados de Natal (a intenção era fazer um pequeno citytour da cidade, mas acho que uma foto com a estátua de Mozart e uma na frente da catedral não contam…) e fomos dormir em Vienna. Mas, antes disso, viagem de trem chiquérrima, (com direito a cabine própria, tomada pro laptop e tudo), e jantar típico austríaco!
O dia seguinte foi dedicado a explorar Vienna. Começamos Visitando a catedral, que, nas palavras de Denise, é “linda mas não fotografa bem”. Depois seguimos o roteiro indicado pelo meu guia: andamos na rua chique até o castelo. Depois pegamos um bondinho, que apesar de não ser turístico passa pela frente de quase todos os prédios importantes, que é um de cada estilo arquitetônico. Enquanto Denise brincava de marcar a rota do bonde no mapa, eu brincava de adivinhar de que estilo era cada prédio. hehehehehehe. No meio do caminho… bem, não tinha uma pedra, mas tinha vários Mercados de Natal, e isso acabou desviando nossa atenção… Fomos passear por alguns deles antes de continuar. Inclusive, comemos alguma coisa típica ai com chocolate quente.
Depois das feirinhas, roda gigante, o que é sempre divertido.
Antes de ir embora, uma passadinha para olhar para o Danúbio Azul… que nem pareceu tão azul assim, mas talvez o fato de que já era noite tenha influído um pouquinho… hehehe.
que calor!
Puente na quinta, fim de semana prolongado. Sul da Espanha, lá vamos eu e Fernanda.
As três cidades que nós visitamos, são, na verdade, bem parecidas. Todas tem as mesmas características: uma influência árabe pesada e muitas, mas muitas laranjeiras!
Primeira parada: Córdoba.
Ela tem umas ruazinhas estreitinhas e tanta cigana
no meio da rua que dá medo… Aqui na Espanha elas sempre tentam dar umas plantinhas pra gente na tentativa de acabar roubando alguma coisa… ou pelo menos é isso que sempre avisam pra gente. Enfim. Monumentos importantes da cidade? Uma
mesquita sem lá muita coisa, um alcazár com uma vista bonita (tá, o jardim era legal também), e uma catedral com um teto divertido. Também tem uma praça que Cervantes mencionou em Dom Quixote… e a Plaza Mayor não chega nem perto da de Salamanca. E a frase célebre do Rei da Espanha está por todo lugar, inclusive nas paredes.
Segunda parada: Granada.
A maior parte do dia foi passado na Alhambra… na qual nem chegamos a entrar. Acredite, tentamos comprar os ingressos com mais de um mês de antecendência, mas simplesmente já estavam esgotados. Tivemos que nos contentar só com os jardins… que já são muitos e muito bonitos.
Eles também trazem umas vistas bem emolduradas da cidade junto. Depois da Alhambra, um breve passeio pelas ruas, com destaque para a panorâmica mais legal da cidade.
Para finalizar o tour do Sul da Espanha, um dia em Sevilha.
Começamos pela praça dos touros, com direito a ver a arena por dentro. Depois uma caminhada pela beira do rio, passando pela torre e indo até a Plaza de España, que não é uma das Plazas Mayores desse país, mas é tão bonita quanto uma.
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Em vez de ser quadrada, como uma Plaza Mayor, ela é em formato de meio círculo, e ao seu redor tem azulejos pintados para cada grande cidade espanhola. Esse é o de Salamanca.
Continuando o passeio, Catedral e Girona, ambas vistas por só fora porque estavam fechadas por causa do feriado. Ainda entramos no Alcazár (de graça para quem é estudante, diga-se de passagem), com os jardins também belíssimos e enooooooooooooormes… sério, a sensação é que a gente tinha saído da cidade, chegado na África, talvez. E essa passagem, com certeza, dava no Amazonas.
Para terminar bem o dia (e o tour), show de flamenco sevilhense!
filme do Tim Burton
Mochilinha arrumada, passagem comprada, tudo pronto para ir para Vienna. Sai de Salamanca no último trem para Madrid, me encontrei com Fernanda e passamos a noite no aeroporto, já que o vôo saia às 6 da madrugada. Beleza. Dormimos no chão. Paciência. “Acordei” com dor de cabeça e com a garganta ruimzinha. Claro. Até aí não estava reclamando. Pegamos o vôo, chegamos à Barcelona, para finalmente pegar o vôo para Vienna. Só que, detalhe básico, tínhamos que trocar não só de vôo, mas de aeroporto. Não precisa nem dizer que isso foi um desastre, né? Corremos muito, mas chegamos no aeroporto de Girona 15 minutos depois que o vôo saiu…
E agora? Bem, como ainda não conhecíamos Barcelona, ficamos por lá mesmo. Depois dessa brincadeira de ficar passeando em aeroporto, já era finzinho de tarde. Então fomos andar. Começamos na Plaza Catalunia e fomos caminhando pela Ramblas, que é cheia de gente, não só pedestres mais também artistas de rua e quiosques vendendo de tudo, inclusive pintinhos. Quase uma festa de interior. Muito divertido. Descemos a rua toda, até o monumento à Colombo e a beira o Mar Mediterrâneo.
O sábado começa cedo. Sagrada Família logo de cara. Alguém me explica porque eu tive que pagar para entrar numa igreja que nem terminada está? Alguém? Porque eu não consigo. Tudo bem que é a obra-prima de Gaudi e tal, but still. A melhor parte foi subir no andar exterior de cima e bater foto da paisagem e dos vitrais.
Segunda parada no tour de Gaudi: Parque Guell. Muito lindo. E não paga para entrar.
A parte das pedras é muito legal, e os móveis da casa de Gaudi podem ser estranhos, mas o pátio é mesmo único.
Outras fotos célebres de Barcelona (e do Parque Guell): a onda e o dragão.
Continuamos com La Pedrera, onde o divertido mesmo é o teto.
Alguns exemplos. Lá já é bem perto da Casa Batlló, que tem a fachada mais divertida que eu já vi. Me senti num filme de Tim Burton. Gostaria de ter entrado, mas cobrar 25 euros para entrar numa casa é uma prática que eu não apoio, logo… me recusei.
Mas assim mesmo, só a fachada já é suficiente para justificar a viagem.
Para terminar o dia, passamos pela Vila Olímpica… a primeira coisa do dia que não tem nada a ver com Gaudi.
Domingo de manhã, antes de ir embora, ainda visitamos a Catedral do bairro gótico, e confesso que foi uma das minhas catedrais favoritas na Europa inteira. Não pela igreja em si, mas pelo jardim. Olha que coisa linda!
Antes de ir para a estação de trem e encarar 11 horas de viagem de volta à Salamanca (com direito a três filmes para ajudar a passar o tempo), passada rápida pelo Arco do Triunfo, só para matar as saudades do irmão francês dele.

