Em busca da confluência
Depois de um mês na Suiça, mesmo com todas as suas encarnações diferentes, achei que era hora de ver algo diferente. Cruzei a fronteira para a França e fui visitar Lyon.
Cheguei já depois das 4 da tarde. Primeira parada: informações do turista. Mas antes era necessário achar o lugar, né? Já tô vendo que essa organização toda de ter as coisas de turista na própria estação de trem é coisa de suiço… e disso eu vou sentir falta. Mas pelo menos tinha um SOS turista, que me deu um mapa e apontou o caminho para o outro escritório. Beleza. Hora de pegar o mêtro, que significa comprar um passe nas máquinas, que, por sua vez, significa que eu precisava de moedas. Por que esse povo não se lembra que turista que acabou de chegar ainda não tem o dinheiro do lugar trocado?
Enfim, meus objetivos no balcão de turismo eram: comprar meu Lyon Card, conseguir meu sempre fiel companheiro, o mapa da cidade, confirmar meu citytour de sábado, e descobrir como andava meu francês. Logo, me dirigi a moça falando todo o meu francês suiço. Não é que colou?
Louise – Eu reservei meu citytour ontem, pelo telefone.
Moça – Okay…. (pausa para olhar o computador) Mas seu nome não tá na lista.
Louise – Mas eu liguei ontem! (quase ficando com raiva porque o telefonema de cinco minutos para reservar isso gastou mais cartão que um telefonema de mais de uma hora pro Brasil)
Moça – Mas não tá aqui… (pausa para verificar novamente). Ah, será…? (nova pausa de informática) Ah, seu nome tá na lista do tour em inglês!
Louise – Claro!
Moça – Eu tava procurando na do tour em francês! Você quer ir mesmo nesse?
Louise – Sim.
Moça – Tem certeza que você não quer trocar?
E eu ganhei o dia.
Segunda parada: albergue. Atravessei a praça, cruzei o rio, subi a montanha (quase uma epopéia)… e nada. Hora de gastar todo o meu francês novamente, pedindo informações no meio da rua. Pergunto a primeira pessoa que passa. O cara me dá a informação que eu preciso, e fica puxando conversa, perguntando de jogador de futebol. Mas os franceses não eram todos antipáticos?
Bem, fiz meu check-in e me sentei na cama para estudar o mapa. Sempre um momento divertido. Lyon é uma cidade dividida em três: a cidade velha, a cidade nova e a península. Os dois rios que cruzam a cidade fazem essa divisão ficar ainda mais precisa e fácil de entender. O ponto de confluência dos dois rios é chamado de “místico” em vários lugares. Claro que chamou a minha atenção. Assinalei os lugares que queria ir. Cheguei a conclusão que tinha mais coisa para ver que tempo disponível no sábado, então voltei para a rua… Mas não sem antes bater uma foto da vista panorâmica do albergue.
Meu guia dizia que a Ópera ficava muito bonita com suas luzes à noite, e essa era minha única noite em Lyon, logo achei que uma boa idéia era andar até a Ópera, vendo as outras coisas que o caminho oferecia. O prédio do CCI se iluminou para mim. Também achei a igrejinha bonitinha, apesar de não saber o nome. As pontes também tem iluminação especial. Passei por uma Rua Gentil e pela Praça da Comédia. Também adorei a fachada dessa loja. Ainda passei na frente do Museu de Belas Artes e pela Place des Terreaux até finalmente chegar na Ópera, que, sinceramente, nem achei essas coisas todas, mas o caminho valeu o esforço. Antes de voltar, jantarzinho com direito a sobremesa chamada “a descoberta dos sorvetes”.
O dia começa cedo no sábado. No caminho para a Basílica de Notre-Dame de Fourvière, dou de cara com os teatros romanos. O resto da caminhada até a Basílica é longa e o sol é forte… Terminei suada, mas a vista compensou todo o esforço.
A Basílica, por dentro, também não deixa nada a desejar. E a torre metálica fica logo do lado.
O caminho continuou com uma sequência de Museus: o da Impressão (papiros! os primeiros jornais impressos!), o da Miniatura (tanta coisa fofa!) e o dos Irmãos Lumière (o primeiro filme do mundo!).
Continuação: Cidade Internacional. O nome faz parecer super-interessante, mas na realidade é só um lugar para fazer congressos/encontros. A coisa mais interessante é a estátua do homem laranja falando no celular. O Museu de Arte Contemporânea é lá também, mas estava fechado para troca de exposição. Damage. Me arrependi de não ter aproveitado esse tempo para ir na confluência, mas achei que nao teria sido suficiente mesmo. No metrô, uma senhora puxou conversa comigo sobre meu “sistema de carregar água na mochila”. Mas franceses não deviam ser antipáticos?
Hora do citytour pela cidade velha e seus “traboules”, que, segundo a propaganda, são passagens que eram utilizadas em épocas de guerra… mas nada mais são do que corredores que ligam, geralmente, dois prédios de apartamentos e duas ruas. Não achei lá essas coisas todas não. Minha parte favorita do tour foi a Catedral de Saint Jean, com seu relógio astrológico.
16:30, só dava tempo de tentar chegar à confluência antes de pegar o trem de volta. Depois de andar, andar, andar ainda mais e gastar mais do meu francês, descobri que não poderia chegar até o ponto que eu queria porque estão construindo o Museu da Confluência no local… Decepção. Mas pelo menos consegui bater uma fotinha de longe…
Nesse ponto, meu ticket de transporte para todo o dia já estava tão usado e abusado que não estava mais nem validando, então o jeito foi subir no primeiro ônibus para a estação de trem — tinha que ser ônibus, porque no mêtro eu teria que passar o ticket para entrar!


Finalmente! Eu não queria dizer, mas estava só esperando o momento que você desse uma passada por aí. Achei a Basílica extraordinária. Tomara que seu pedido se realize. Beijo.
hehehehehe. Melhor falar alguma coisa, moço! Serve como idéia de onde ir!
A Basílica é linda, sim, mas, pra mim, não bate a Igreja da Madonna del Sasso, em Locarno.