Suiça com soutaque italiano
Era o último fim de semana do Festival de Cinema de Locarno. Tinha data melhor pra eu ir pra Suiça Italiana?
A viagem de trem Lausanne-Locarno é, no mínimo, estranha. Primeiro porque é necessário sair da Suiça pra entrar de novo… Segundo porque, bem, a primeira parte da viagem (até Domodossola, Itália) é linda e maravilhosa, mas de Domodossola à Locarno… bem, continua sendo linda, mas o tremzinho é muuuuuito devagar… e desconfortável pra caramba. Enfim, tudo leva quase cinco horas, se você tiver sorte (ou pesquisar muito) e pegar os trens mais rápidos.
Cheguei em Locarno às 15:55, louca pra assistir uma exibição de curtas em português às 16:15. Se fosse em qualquer outra Suiça, com certeza eu teria conseguido. Mas, como eu aprendi nesse fim de semana, era a Suiça Italiana…
Lição de Suiça Italiana #1:
É mais Itália que Suiça. Tudo vira uma bagunça e não existe indicação de onde é nada.
Tipo, vamos comparar, d’accord? Aqui em Lausanne, as informações ao turista são na própria estação de trem. Em Locarno, são escondidas dentro de um cassino que fica em outra praça e não tem nenhuma plaquinha avisando pra que lado os pobres coitados que vem de outro canto devem ir.
Pois é. Acabei indo atrás das informações ao turista e não consegui pegar os filmes. Paciência. Então resolvi olhar um pouco a cidade. Andei na beira do lago até o Giardini Jean arp, que tem esculturas desse artista espalhadas entre as flores e as árvores.
Dois trens e uma hora depois eu estava em Lugano, onde ficava o albergue (meu primeiro albergue!). Fiz meu check-in, me acomodei (ou seja, tranquei tudo no armário com cadeado) e fui arrumar jantar na cidade. Não é que estava tendo um festival de música latina no meio de uma das praças? Bailamos era o nome do evento. Comi uma piadina (minha primeira piadina! …e provavelmente última também), olhei os suiços tentando dançar música espanhola, e fui olhar o lago (será que a Suiça é na verdade um conjunto de lagos?). Acabei já localizando as informações do turista de lá (que, claro, estava fechado), para facilitar minha vida depois.
No sábado, acordei e voltei direto para Locarno. Fui assistir um documentário: Someone Beside Me, produção suiça, sobre psicose. Muito bom. Quase não consigo chegar a tempo por causa da enrolação do povo do festival e da falta de sinalização da cidade, mas no fim deu certo.
Acabado o documentário, fui passear pela cidade com meu mapinha na mão e minha curiosidade como guia (já que um de verdade eu não tinha). Vi o Castello Visconteo (meu primeiro castelo!), do lado de uma Igreja que até agora eu não sei qual é… Não entendi porque não podia entrar, mas tudo bem. Sai andando por trás e estava na Cidade Velha. Vi um monte de gente com maquina fotográfica na mão saindo de uma portinha… entrei e era a Igreja de São Francisco. Linda. Continuei na mesma rua e acabei na Biblioteca, mas não pude entrar porque tava interditada pelo Festival. A praça principal, Piazza Grande, também estava ocupada pelo Festival, mas não estava interditada.
Lição de Suiça Italiana #2:
As cidades são conjuntos de praças, como essa ou essa, e tem uma hora que você não sabe mais a diferença de uma pra outra.
Depois peguei o teleférico e fui ver a Madonna Del Sasso. Tanto a vista quanto a Igreja são muito bonitas. Esse passeiozinho me fez perder a outra sessão de curtas que eu queria ver, Leopardos de Amanhã (o leopardo é o símbolo e o prêmio do evento), mas valeu a pena.
Muito tarde pros curtas, muito cedo pro outro filme (que só era dai a quatro horas) resolvi não esperar e voltei para Lugano. Mas as informações turísticas já tinham fechado novamente, e eu nem mapa da cidade tinha.
Solução? Andar na beira do lago. hehehehehe. Sério, a questão é que os lagos são os centros das cidades, então com certeza eu acharia boa parte das atrações por ali. Andei até o Parque da Cidade. Um parque na beira do lago, imagine só. Com um portão que abre para o lago, um jardim de pontos de interrogação e uma musiquinha muito agradável de fundo… descobri que na verdade era ao vivo, mas ninguém estava assistindo. Eu me sentei para assistir um pedacinho, mas uns 15 minutos depois o show acabou (será que foi porque eu sentei? hehehehe).
Continuei minhas andanças pelo lago e achei um tremzinho turístico pronto para fazer a última viagem pela cidade. Subi à bordo. Foi muito rápido, só 40 minutos, mas acabei descobrindo muito o que fazer no dia seguinte…
Domingo. Dia de conhecer Lugano. Comecei a andar pela cidade antes da minha amiga informações ao turista abrir.
Então resolvi seguir andando pelo lado oposto do lago.
Estava eu procurando o teleférico que o tremzinho tinha me mostrado, quando, novamente, vi um monte de gente com câmera na mão e cara de turista saindo de uma reforma e seguindo um guia. Resolvi entrar. Era outra igreja, a da Santa Maria degli Angioli, que tem uma pintura deslumbrante na parede.
Lição de Suiça Italiana #3:
As Igrejas não são como as suiças, são como as italianas… ou seja: de cair o queixo.
Seguindo mais um pouco vi outro jardim parecido com o Jean Arp, uma estátua de George Washington (não me pergunte o que estava fazendo por lá), uma piscininha com uma estátua aquariana (hehe!), uma arvorezinha estranha (de novo, não pergunte) e direções para uma Vila Malpensata.
Finalmente, o teleférico de San Salvatore. Outra Igreja, e outra vista panorâmica, dessa vez a cidade de Lugano e vizinhanças (claro) e dos 50 lagos e rios que tem em volta. Quanta água!
Depois do teleférico voltei andando até as (isso mesmo) informações ao turista. Peguei um mapa e, surpresa, já tinha visto tudo o que tinha pra ver na cidade. hehehe. Então comecei minha viagem de volta. Peguei os primeiros dois trens para Locarno, mas cheguei lá quase uma hora antes do horário do próximo trem para Domodossola, então fui me despedir da Suiça que tem sotaque italiano tomando sorvete e olhando pro lago.


Oláalálálá…Lú! Somente hoje fiz minha primeira visita ao site. Estou adorando a viagem que estou “fazendo junto” com você. Você não faz idédia de como é bom vê-la feliz nas fotos. Vou bem devagarinho para não perder nada. Vejo todas as fotos e vejo além… Vejo o que é possível imaginar a partir das lentes coloridas da sua percepção do mundo que a rodeia… Beijão!
como você está poético!
beijão!
Oi, Lou. Tenho acompanhado a viagem desde o início… e em algumas oportunidades conversamos em tempo real. Mas considero que registrar algum comentário no blog é muito importante. Assim, a partir de agora estarei mais presente aqui também.
Estou adorando tudo!!… Você relata as coisas de jeito que a gente se sente viajando ao seu lado… passando por tudo que você passou… apreciando e curtindo todos os momentos…
Ah! Os comentários bem humorados têm sido um diferencial. Bjo
oi Gau!
fim de semana passado teve Liechtenstein (para a alegria de mamãe), mas ainda não tive coragem de escrever… ô preguicinha.
Bem vou comentar por aqui. Achei o máximo o portão que dá para o lago e aquela árvore bem timbortuniana. Sabe que essas duas figuras parece algo que sempre tenho em sonhos. Fiquei com uma pergunta na cabeça, nesse lago alguém pode tomar banho ou é impróprio… Beijo e estou adorando a viagem.
Bee, pode tomar banho, sim. Geralmente tem umas “prainhas” de pedra, ou umas escadas pra pessoa poder chegar à agua mais fácil!
oi anjinho que fotos lindas perfeitas, bjka